Atravessado o pátio entre cumprimentos aos poucos professores que se encontravam na escola naquela 4ªfeira que se seguia ao Carnaval, a menina entrou na sua querida Oficina em Língua Portuguesa. Foi aí surpreendida por colegas agitados que procuravam pistas dos assaltantes que tinham invadido o espaço durante o fim-de-semana! Anita soube então pelos colegas que um ladrão tinha conseguido forçar uma das muitas barras de ferro que protegiam o tecto do espaço, entrado por entre as grades e roubado cadernos, dicionários e outro material escolar. Anita ficou preocupada e logo decidiu fazer uma lista de tudo o que tinha sido roubado para entregar à PJ, que o director do Liceu acabava de chamar.
Quando chegaram, os polícias tiraram muitas fotografias aos vestígios que os assaltantes tinham deixado e fizeram algumas perguntas. Pouco depois eles foram embora, mas não sem antes darem autorização ao director da escola para ir com alguns professores seus colegas para o mercado do Bandim procurar o material roubado.
Algum tempo depois, Anita recebeu uma chamada. Era o director! Estava no mercado e tinha encontrado algum do material roubado. Queria que a menina fosse lá para confirmar se aquele era, de facto, o material da Oficina em Língua Portuguesa.
Anita correu para o mercado. Ao chegar, viu logo, em bancas de três comerciantes diferentes, alguns dos cadernos, dicionários e esferográficas que tinham desaparecido da sua Oficina. Ao dar essa confirmação à polícia, tudo o que estava a ser vendido pelos comerciantes que tinham o material roubado - e não só aquilo que ela tinha identificado - foi deitado por agentes da PJ para dentro das suas carrinhas e levado para o serviço de piquete, onde Anita, o director e os outros professores que tinham descoberto o material roubado tiveram de ir prestar algumas declarações.
Na PJ, os materiais retirados das bancas dos vendedores acumularam-se no chão. Enquanto isso, eles explicavam aos agentes da autoridade como é que estes tinham chegado às suas mãos. Depois foi a vez de Anita, o director e os seus companheiros entrarem numa sala onde tudo era novo, tão novo que ainda se mantinha envolto em plásticos que não tinham sido retirados. Assim, os inspectores, sentaram-se em frente aos seus ecrãs de computadores ainda cobertos pelo plástico e quiseram saber quais tinham sido as diligências que tinham conduzido à recuperação do material roubado. Sentados em cadeiras novas, tão novas que o plástico ainda servia de cobertura ao confortável assento, Anita, o director e os companheiros explicarem à polícia tudo o que tinha acontecido. Então, o senhor inspector agradeceu a colaboração que tinha permitido importantes avanços na investigação e pediu-lhes apenas para fazerem um relatório a contar, por escrito, tudo o que tinha acontecido. E assim foi.
Dois dias depois, Anita voltou a receber uma chamada do director da escola. Já tinha sido encontrado um suspeito! Além disso, o material roubado já podia ser devolvido. Anita, com duas companheiras da sua querida Oficina, dirigiu-se, mais uma vez, à PJ, onde o inspector explicou, muito simpático, que estavam a investigar um rapaz indicado pelos vendedores que tinham nas suas bancas o material roubado como a pessoa que lhes tinha vendido esses artigos. (Anita viu o presumível assaltante. Anita teve pena... Anita tentou esquecer o seu rosto igual a tantos rostos de Bissau...)
Anita ficou contente e, com todo o mistério resolvido, voltou para casa, com as suas duas companheiras, e com o material que tinha sido roubado e que, finalmente, poderia voltar ao seu lugar, a Oficina em Língua Portuguesa.

NOTA: Talvez esta história seja tão aborrecida como qualquer história da Anita. Mas é uma história verdadeira, embora, pela primeira vez, eu assuma e aceite esse papel de Anita das histórias, porque me parece ainda que isto não pode fazer parte do meu mundo real. Assim, foi a Anita das histórias - e não a Ana Sofia - quem viu aquele ladrão...
«Ladrão I s. m. pessoa que rouba, gatuno», Dicionário - Língua Portuguesa
Para a Ana Sofia este ladrão continua a ser assim: conceito geral, pessoa indefinida, sem olhar ou rosto, que merece ser punida pelo crime/roubo que cometeu...
Labels: Guiné-Bissau














