Da Guiné e de Cabo Verde
Por terras da Guiné, costuma dizer-se que a chuva chega no dia 15 de Maio. Este ano ela veio assim, tão discreta quanto pontual. Também se diz que no início da época das chuvas ela cai semanalmente, sempre no mesmo dia e mais ou menos à mesma hora; depois vai-se tornando cada vez mais frequente até que em Agosto chove todos os dias, sempre na hora prometida.
Posso dizer que, para mim, a chuva grande deveria cair sempre à noite. É nessa altura que estou mais predisposta a ouvir os estrondos e a deixar o meu quarto iluminar-se só pela claridade dos intensos relâmpagos, enquanto a rua se enche de água ao ponto de se transformar momentaneamente num caudaloso rio. Ao pensar na chuva, sinto saudades de todas as que vi aqui e fico ansiosa para que elas voltem a cair em toda a sua grandeza.
Mas também me sinto egoísta e sinto que elas só têm o direito de chegar quando os guineenses estiverem todos prontos para as receber. Sei que essa fascinante grandeza da natureza causa destruição entre os mais pobres: há gentes que vêem as suas casas frágeis levadas pelo vento e pela água que, de tão forte, invade tudo… Por isso, quero acreditar que a chuva, este ano, vai ser generosa; quero acreditar que vai dar o seu grande espectáculo de quem corre as terras fertilizando-as sem as destruir. Quero acreditar que será assim, porque a vida para os fidju di tchon já é dura de mais!
Espero que aqui na Guiné-Bissau a chuva tenha um regresso como o descrito pelo herói nacional Amílcar Cabral, no seu poema dedicado a Cabo Verde. (E aproveito para deixar as fotografias das férias da Páscoa em Cabo Verde, que já vêm com grande, grande atraso…)
Mamãe velha, venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão.
É um bater amigo
Que vibra dentro do meu coração.
A chuva amiga, Mamãe Velha, a chuva,
Que há tanto tempo não batia assim…
Ouvi dizer que a Cidade Velha
- a ilha toda –
Em poucos dias já virou jardim…
Dizem que o campo se cobriu de verde
Da cor mais bela, porque é a cor da esp’rança
Que a terra agora, é mesmo Cabo Verde
- É a tempestade que virou bonança…
Venha comigo, Mamãe Velha, venha,
Recobre a força antiga e chegue-se ao portão.
A chuva amiga já falou mantenha
E bate dentro do meu coração!

A areia preta de Porto Gouveia
Interior da Ilha de Santiago



Os dois mundos do Tarrafal

Ribeira da Barca


E muito mais, para descobrirem quando eu regressar a Portugal :)



3 Comments:
At 9:30 AM,
Anonymous said…
A viagem e a companhia que eu perdi...:(
At 12:18 PM,
Ana Claudia said…
Hum,
Um admirador secreto e uma série de fotos de boas recordações.
E eu q também perdi essa viagem.
Beijinhos
PS: Os cestos teriam sido uma perdição.
At 10:23 AM,
Espalharte said…
Oi!
Estas fotos lindíssimas das paisagens magníficas aguçaram ainda mais a minha curiosidade para uma futura viagem. Talvez no próximo ano, quem sabe?
Post a Comment
<< Home