Casa da Patrícia

Saturday, February 14, 2009

MUITAS PALAVRAS, UM SENTIMENTO

- DEFINIÇÕES DE AMOR NO PORTUGUÊS DE TRÊS CONTINENTES -


Respiro o teu corpo:
Sabe a lua-de-água

Ao amanhecer,

Sabe a cal molhada,

Sabe a luz mordida,

Sabe a brisa nua,

Ao sangue dos rios,

Sabe a rosa louca,

Ao cair da noite

Sabe a pedra amarga,

Sabe à minha boca.

                                   

EUGÉNIO DE ANDRADE
(Portugal)



Mea-Culpa


Se me olhares

Cara a cara

E na vaga do teu olhar

Os meus olhos

Navegarem nos teus

Se a noite

Não for concubina

Do segredo

Se o sol não surpreender a

madrugada

E os sóis da noite

Não apunhalarem a lua

Serei eu

A falar-te

Seremos nós a libertarmo-nos

Tu e eu

Leitos ternos do mesmo rio

Para que a fonte não seque

E na mesma canoa navegarmos

Comandando as ondas

Quebrando as correntes

Refazendo a vida.

Tony Tcheka

(Guiné-Bissau)

    
As sem razões do amor


Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

                                

Amor é dado de graça
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte

e da morte vencedor,

por mais que o matem
(e matam)

a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

(Brasil)



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