- DEFINIÇÕES DE AMOR NO PORTUGUÊS DE TRÊS CONTINENTES -
Sabe a lua-de-água
Ao amanhecer,
Sabe a cal molhada,
Sabe a luz mordida,
Sabe a brisa nua,
Ao sangue dos rios,
Sabe a rosa louca,
Ao cair da noite
Sabe a pedra amarga,
Sabe à minha boca.
EUGÉNIO DE ANDRADE
(Portugal)
Mea-Culpa
Se me olhares
Cara a cara
E na vaga do teu olhar
Os meus olhos
Navegarem nos teus
Se a noite
Não for concubina
Do segredo
Se o sol não surpreender a
madrugada
E os sóis da noite
Não apunhalarem a lua
Serei eu
A falar-te
Seremos nós a libertarmo-nos
Tu e eu
Leitos ternos do mesmo rio
Para que a fonte não seque
E na mesma canoa navegarmos
Comandando as ondas
Quebrando as correntes
Refazendo a vida.
Tony Tcheka
(Guiné-Bissau)
As sem razões do amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
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Amor é dado de graça
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte
e da morte vencedor,
(e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
(Brasil)
Labels: Palavras soltas


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