Há precisamente dois anos atrás, aterrei na Guiné-Bissau. Um amigo disse-me que, quando pisei pela primeira vez este chão, tinha um ar assustado. Não o nego, mas também não o sinto. Sabia que África marcaria e mudaria a minha vida para sempre. Esta ideia, para o bem e para o mal, tão inquietante, fez com que nesse dia me sentisse apreensiva, cheia de incertezas e de uma imensa vontade de descobrir o meu novo mundo. Talvez tantos e tão fortes sentimentos me dessem a tal aparência assustada de que me fala o meu amigo.


Hoje tenho a certeza de que voltar este ano foi a escolha certa. Essa certeza apoderou-se de mim no momento em que, em Setembro, logo após a chegada, abri a porta da minha casa e senti este cheiro quente e húmido da noite bissau-guineense. Ele preencheu-me toda e sussurrou-me em segredo que era bem vinda. Além disso, o que a noite me confidenciou baixinho, foi o que me disseram as palavras pronunciadas no elevado tom africano entre abraços de amigos que de cá não saíram. Então, soube que este país ainda tem muito para me dar. E eu também quero poder dar-lhe muito de mim antes de partir.
Se me perguntarem o que é que levo daqui de mais importante, é claro que são os amigos. Foi com eles que descobri este meu mundo novo, por isso, fazem parte dele. Depois, foi a percepção de que podemos sorrir até daquilo que nos faz sofrer. É isso que fazem os “meus” guineenses, aqueles de quem me orgulho. Só com um sorriso podemos encontrar beleza entre buracos, campanhas mentirosas, ruínas, degradação de edifícios morais e materiais, ausência de tudo menos de vontade de sobreVIVER e de SORRIR!


Labels: Diário do meu paraíso negro

1 Comments:
At 10:10 AM,
Mónica Lice said…
Saudades... Muitas!
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