Não posso deixar de dizer que este início tem um ano de atraso, um primeiro ano na Guiné-Bissau que mudou a minha vida para sempre, que, com todas as suas pequenas catástrofes, foi um dos melhores da minha vida, porque é impossível respirar Guiné e não nos apaixonarmos pelo pó e pelas gentes.
Este ano foi um ano diferente, feito de menos magia e cor, mas também de muita dedicação e descoberta de um outro lado de um país não menos real, embora talvez um pouco mais triste… Um país que nos deixa inquietos quanto ao seu futuro, mas que, por outro lado, nos surpreende com uma força e uma beleza raras. Não quero aqui falar dessa Guiné-Bissau pobre e triste que muitos conhecem sem pisar o seu solo quente, por ser a história de uma mãe África desiludida e desesperada. Prefiro mostrar-vos a minha Guiné-Bissau, aquela que me mantém presa aqui. É essa Guiné que vos quero contar.
Era uma vez…
… uma menina que chegou a Bissau e viu da sua varanda um rio Geba subjugado por nuvens escuras, mães de uma chuva que devolveu finalmente o verde à já sequiosa Guiné-Bissau.
…uma mulher que adoptou, por um dia, a mais bonita bonequinha guineense, a Fatumata.
... uma curiosa que se “perdeu” no mercado de Canchungo e junto ao rio dessa mesma cidade a ver o trabalho de quem concerta redes e o sorriso dos meninos que nadam junto a barcos gentilmente cedidos pelos Srs. Troncos de Árvore ao homem que neles se queira arriscar.
…uma frustrada, “obrigada” a manter-se na capital, que acabou por conseguir desfrutar do Carnaval de Bissau, com as suas máscaras de papelão e os seus trajes Bijagós.
… uma professora, no Dia da Liberdade, especialmente orgulhosa dos seus alunos-poetas e dos seus colaboradores guineenses.
… uma pessoa deliciada com o sorriso e o carinho das gentes.
…a sonhadora que não consegue ver senão uma Bolama, antiga capital do país, imponente, com os seus edifícios majestosos e jardins luxuriantes de outros tempos.
…a preguiçosa que escolhe um pequeno paraíso do arquipélago dos Bijagós para praticar essa intensa actividade que é o nadismo.
…a preguiçosa que escolhe um pequeno paraíso do arquipélago dos Bijagós para praticar essa intensa actividade que é o nadismo.
…e uma apaixonada pelas paisagens deslumbrantes da Guiné-Bissau.
Labels: Diário do meu paraíso negro

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