MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA
Tolerância zero à mutilação genital feminina
Mais de 45% das meninas e mulheres excisadas
A Ministra da Mulher, Família, Coesão Social e Luta contra a Pobreza, Fátima Fati, afirmou, no dia 6 do corrente mês, que é altura de reagirmos todos a favor do abandono da prática da mutilação genital feminina, porque, no país, cerca de 45% das meninas e mulheres foram excisadas.
Esta posição foi defendida durante a celebração do Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, organizada sob o lema: “A Vontade Política no Centro para Atingir a Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina”, realizada no complexo residencial Alto Bandim.
Na cerimónia, que juntou quase todas as mulheres de diferentes associações do país, Fátima Fati disse estar convicta de que a celebração deste dia é já uma prova do elevado empenho e da coragem de todos no que se refere ao empreendimento de uma luta determinada contra esta prática tão perigosa para a saúde humana.
Por outro lado, Fati explicou que, em termos estatísticos, se estima que cerca de 45% das meninas e mulheres tenham sido excisadas na Guiné-Bissau, sendo que esta mutilação é feita em idades compreendidas entre os 6 e os 16 anos. Foi ainda mais longe, dizendo que, muito embora esta prática se relacione com a tradição de algumas etnias, ela é condenável e deverá ser erradicada através da implementação de estratégias concretas, envolvimento e co-responsabilização dos grupos-alvo.
Mais adiante, Fátima Fati disse esperar que a conjugação de esforços entre Governo e parceiros do Sistema das Nações Unidas e ONG que operam na luta contra a mutilação genital feminina se transforme numa realidade.
Guy de Araújo, que falou em nome do Sistema das Nações Unidas, disse que há registo da prática de mutilação genital feminina por todo o globo, embora predomine nas regiões do Oeste, Este e Nordeste de África, em alguns países da Ásia e Médio Oriente entre certas comunidades de imigrantes. “A mutilação genital feminina ou excisão não envolve somente questões de saúde reprodutiva, constituindo, na verdade, uma questão fundamental de direitos humanos e, particularmente, dos direitos das raparigas e das mulheres”, explicou.
Ainda segundo este representante das Nações Unidas, desde 2007, que a maior parte dos actores nacionais e internacionais compartilha uma compreensão multidimensional relativamente à forma como é encarada esta prática e há, agora, um consenso sobre o desenvolvimento de um quadro comum de intervenção.
Para a presidente do Instituto da Mulher e Criança, Iracema do Rosário, o assunto da mutilação genital feminina é de enorme importância, por isso é necessário que haja consenso entre todos os grupos-alvo, para que se ponha fim a este mal que afecta a nossa sociedade.
Elci Pereira Dias
In jornal Nô Pintcha (12/02/09)
Labels: Guiné-Bissau



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