Casa da Patrícia

Sunday, November 16, 2008

Hoje poderia ser o Dia Guineense Sem Carros. As estradas descansam dos seus principais habitantes e libertam o seu calor natural sem serem aquecidas pela borracha dos pneus ou pelo fumo sujo libertado por escapes despreocupados. Ainda assim, ao olhá-las, não consigo decidir se se sentem livres ou simplesmente abandonadas e envergonhadas...


É que este dia guineense sem carros não se deve a preocupações com a natureza; ele é, isso sim, todo de natureza política. Hoje, dia 16 de Novembro de 2008, têm lugar eleições legislativas na Guiné-Bissau. Por motivos de segurança, os carros que quiserem circular precisam de ter donos suficientemente importantes para possuírem um papelinho, maior do que os da Emel, mas posicionado no mesmo local (e que me deixam a mesma sensação de desconforto...), a dizer «LIVRE TRÂNSITO».

Será que as estradas se sentem orgulhosas por serem apenas percorridas pelos especiais e honrados «LIVRE TRÂNSITO»? Não creio... Elas sabem que para estes exibirem a palavra "LIVRE" muitos outros, a maioria, escondem a palavra "preso". Elas sabem que isto acontece por precaução, que é uma medida de segurança no dia do exercício de um dos principais direitos de cidadania. E elas, as estradas, ficam assim, libertando o seu calor natural, no dia guineense sem carros, sem trânsito e fumo que esconda os buracos que balançam não docemente aqueles que as percorrem. E hoje é dia de ir votar, é dia de contenção, porque os gritos, os assobios e os apitos de alegria ficaram lá atrás, na passada sexta-feira, quando as gentes, vestindo a bandeira, invadiram sonoramente a estrada e a praça principal de Bissau, tapando os buracos e expressando a sua esperança. Hoje, na minha rua, ficou o apenas silêncio, poucas vezes entrecortado pelo canto dos pássaros, que voam ainda porque são constantes e não esperam nada mais do que um amanhã igual a ontem.


Labels:

Saturday, November 15, 2008


Há precisamente dois anos atrás, aterrei na Guiné-Bissau. Um amigo disse-me que, quando pisei pela primeira vez este chão, tinha um ar assustado. Não o nego, mas também não o sinto. Sabia que África marcaria e mudaria a minha vida para sempre. Esta ideia, para o bem e para o mal, tão inquietante, fez com que nesse dia me sentisse apreensiva, cheia de incertezas e de uma imensa vontade de descobrir o meu novo mundo. Talvez tantos e tão fortes sentimentos me dessem a tal aparência assustada de que me fala o meu amigo.
Hoje, olhando para trás, só posso sorrir feliz! Sei que, como vinha escrito numa das muitas e lindas prendas que ofereceram antes da primeira partida, esta foi e é A VIAGEM DA MINHA VIDA! A minha vida mudou mais do que eu poderia esperar, vivi experiências inesquecíveis e fui assaltada por sentimentos mais fortes do que pensei que pudessem existir. Agora acho que viver em África, sobretudo no terceiro país mais pobre do mundo, só pode ser assim: uma experiência única, que nos faz grandes e pequenos, que nos leva a descobrir que somos estranhas criaturas nós os humanos…

Hoje tenho a certeza de que voltar este ano foi a escolha certa. Essa certeza apoderou-se de mim no momento em que, em Setembro, logo após a chegada, abri a porta da minha casa e senti este cheiro quente e húmido da noite bissau-guineense. Ele preencheu-me toda e sussurrou-me em segredo que era bem vinda. Além disso, o que a noite me confidenciou baixinho, foi o que me disseram as palavras pronunciadas no elevado tom africano entre abraços de amigos que de cá não saíram. Então, soube que este país ainda tem muito para me dar. E eu também quero poder dar-lhe muito de mim antes de partir.

Se me perguntarem o que é que levo daqui de mais importante, é claro que são os amigos. Foi com eles que descobri este meu mundo novo, por isso, fazem parte dele. Depois, foi a percepção de que podemos sorrir até daquilo que nos faz sofrer. É isso que fazem os “meus” guineenses, aqueles de quem me orgulho. Só com um sorriso podemos encontrar beleza entre buracos, campanhas mentirosas, ruínas, degradação de edifícios morais e materiais, ausência de tudo menos de vontade de sobreVIVER e de SORRIR!

Labels:

Wednesday, November 12, 2008


Faltavam também fotos do Alentejo! Que falha!
A Corte Gafo de Baixo é também mais uma parte da nossa casa...
...e está sempre à vossa espera!


Apesar de termos um blog tão abandonado eu não desisto ;) !
Faltavam cá umas fotos do nosso famoso acampamento em Milfontes...
não conseguimos ir todas mas foi muito divertido...quero repetir!!