
As portas que Abril abriu
(...)
Ora passou-se porém
Que dentro de um povo escravo
Alguém que lhe queria bem
Um dia plantou um cravo
Era a semente da esperança
Feita de força e vontade
Era ainda uma criança
Mas já era liberdade.
Era já uma promessa
Era a força da razão
Do coração à cabeça
Da cabeça ao coração,
Quem o fez era soldado
Homem novo capitão
Mas também tinha a seu lado
Muitos homens na prisão.
(...)
Foi esta força sem tiros
De antes quebrar que torcer
Esta ausência de suspiros
Esta fúria de viver
Este mar de vozes livres
Sempre a crescer a crescer
Que das espingardas fez livros
Para aprendermos a ler
Que dos canhões fez enchadas
Para lavrarmos a terra
E das balas disparadas
Apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril
De antes quebrar que torcer
Que em vinte e cinco de Abril
Fez Portugal renascer.
Ary dos Santos
