"Ulume deixou o animal beber e foi à entrada da gruta depositar fuba de milho. Depois foi ele próprio beber a água da sua infância. E uma alegria muito calma começou a preencher todos os seus vazios, com a pureza da água, com a mensagem do cágado, com o mundo voltado ao normal. Lá em baizo ondulava o verde das palmas e gemiam as folhas das bananeiras, roçando umas nas outras. Uma ave branca saiu do verde e voou a caminho do sol poente. Seria uma pomba? Abriu o saco e comeu tudo o que a Muari lá tinha posto, devagar, saboreando como deve ser feito ao bom da vida.Voltou a beber a água do regato nascente. Esperou o escurecer e desceu para a base do morro, ficando num sítio bem abrigadno cobertor dos ventos. Se enrolou no cobertor e sentiu com agrado o fresco da noite recente.
Olhou para o céu e viu as estrelas aparecer. Tinha também Muiza, a Vénus dos brancos, a mais linda de todas as estrelas. E Ulume, o homem, sorriu para ela."
Pepetela, Párabola do Cágado Velho, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1996, p.180
Como o início deste blog se deveu a uma viagem a África resolvi deixar um cheirinho deste continente, que deve ter uma magia muito própria. Não sei se já leram o livro, se não aconselho...consegue deixar-nos sentir um pouco desse mundo!

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